quinta-feira, 28 de janeiro de 2021

Dialética do trabalho - Trabalho de Sociologia

 

Colégio Estadual do Paraná

Curso de Arte Dramática e Formação do Ator Cênico III

Fundamentos do Trabalho

Professora de Sociologia  Eliana



ABILIO MACHADO



O dinheiro é a essência alienada do trabalho e da existência do homem; a essência domina-o e ele adora-a. Karl Marx.


Sociologia

Dialética do trabalho


  1. Qual deveria ser o significado do trabalho, presente na primeira parte do texto?



O autor atualiza e reforça argumentos sobre as transformações ocorridas nesse universo e as consequentes implicações nos planos: social e político. Aborda a relevância do trabalho na atualidade e a não desaparição e perecimento do mesmo, como defende a corrente eurocêntrica, pautada na repercussão do progresso científico-tecnológico no capitalismo contemporâneo. Contrário à questão da finitude do trabalho, o autor lança o desafio de se compreender o mosaico de formas que configura a classe trabalhadora atual, considerando o seu caráter polissêmico e multifacetado.

Antunes evoca uma noção de classe trabalhadora mais abrangente, não restrita, como em meados do século passado, ao proletariado industrial ou ainda a ideia que reduz o trabalho produtivo exclusivamente ao universo fabril. Congrega, por conseguinte, todos aqueles que vendem sua força em troca de salário e são desprovidos dos meios de produção. Incorpora, além do proletariado industrial e rural, os assalariados do setor de serviços, os trabalhadores terceirizados, subcontratados, temporários, os trabalhadores de telemarketing e call center, os motoboys, além de incluir a totalidade dos desempregados.







  1. Qual avaliação de Marx sobre o trabalho na ordem do capital?



O sugestivo título do livro se refere a uma passagem de “O Capital”, onde Karl Marx afirma que a manufatura separou o trabalhador dos meios de produção, assim como quem aparta o caracol de sua concha. Assim, o grande desafio da sociedade moderna é recuperar, em bases totalmente novas, a indissolúvel unidade entre o caracol e sua concha, já que tal molusco não consegue sobreviver sem sua proteção natural.

Ou seja: De acordo com Marx, capital e trabalho apresentam um movimento constituído de três momentos fundamentais:

Primeiro, “a unidade imediata e mediata de ambos”; significa que num primeiro momento estão unidos, separam-se depois e tornam-se estranhos um ao outro, mas sustentando-se reciprocamente e promovendo-se um ao outro como condições positivas;

Em segundo lugar, “a oposição de ambos”, já que se excluem reciprocamente e o operário conhece o capitalista como a negação da sua existência e vice-versa;

Em terceiro e último lugar, “a oposição de cada um contra si mesmo”, já que o capital é simultaneamente ele próprio e o seu oposto contraditório, sendo trabalho (acumulado); e o trabalho, por sua vez, é ele próprio e o seu oposto contraditório, sendo mercadoria, isto é, capital.







  1. O que é alienação do trabalho para Marx? Como ela acontece?



A alienação ou estranhamento é descrita por Marx sob quatro aspectos:



1. O trabalhador é estranho ao produto de sua atividade, que pertence a outro. Isto tem como consequência que o produto se consolida, perante o trabalhador, como um “poder independente”, e que, “quanto mais o operário se esgota no trabalho, tanto mais poderoso se torna o mundo estranho, objetivo, que ele cria perante si, mais ele se torna pobre e menos o mundo interior lhe pertence”;

2. A alienação do trabalhador relativamente ao produto da sua atividade surge, ao mesmo tempo, vista do lado da atividade do trabalhador, como alienação da atividade produtiva. Esta deixa de ser uma manifestação essencial do homem, para ser um “trabalho forçado”, não voluntário, mas determinado pela necessidade externa. Por isso, o trabalho deixa de ser a “satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio para satisfazer necessidades externas a ele”. O trabalho não é uma feliz confirmação de si e desenvolvimento de uma livre energia física e espiritual, mas antes sacrifício de si e mortificação. A consequência é uma profunda degeneração dos modos do comportamento humano;

3. Com a alienação da atividade produtiva, o trabalhador aliena-se também do gênero humano. A perversão que separa as funções animais do resto da atividade humana e faz delas a finalidade da vida, implica a perda completa da humanidade. A livre atividade consciente é o caráter específico do homem; a vida produtiva é vida “genérica”. Mas a própria vida surge no trabalho alienado apenas como meio de vida. Além disso, a vantagem do homem sobre o animal – isto é, o fato de o homem poder fazer de toda natureza extra-humana o seu “corpo inorgânico” – transforma-se, devido a esta alienação, numa desvantagem, uma vez que escapa cada vez mais ao homem, ao operário, o seu “corpo inorgânico”, quer como alimento do trabalho, quer como alimento imediato, físico;

4. A consequência imediata desta alienação do trabalhador da vida genérica, da humanidade, é a alienação do homem pelo homem. “Em geral, a proposição de que o homem se tornou estranho ao seu ser, enquanto pertencente a um gênero, significa que um homem permaneceu estranho a outro homem e que, igualmente, cada um deles se tornou estranho ao ser do homem”. Esta alienação recíproca dos homens tem a manifestação mais tangível na relação operário-capitalista.

É dessa forma, portanto, que se relacionam capital, trabalho e alienação, promovendo a coisificação ou reificação do mundo, isto é, tornando-o objetivo, sendo que suas regras devem ser seguidas passivamente pelos seus componentes. A tomada de consciência de classe e a revolução são as únicas formas para a transformação social.



  1. Qual o significado de work e labor para Marx?



A distinção entre trabalho [labor], obra [work] deveria ser examinada acentuando o ponto de vista temporal da durabilidade dessas diferentes atividades humanas.

Marx refere-se aqui a categoria de trabalho tal como ela é concebida pela economia política moderna e é ainda no contexto de sua análise da produção capitalista que ele estabelece a distinção entre trabalho geral abstrato, trabalho que põe o valor de troca (uma forma especificamente social do trabalho) e trabalho enquanto produtor de valores de uso, ou seja, o trabalho enquanto atividade útil que visa, de uma forma ou de outra, a apropriação das matérias naturais. Apenas este ˙último, observa Marx, é uma condição [natural] de existência do homem, independente de todas as formas de sociedade, eterna necessidade natural de mediação do metabolismo entre homem e natureza e, portanto, da vida humana.

Assim, por exemplo, o trabalho de um alfaiate, tem seu determinado material como atividade produtiva particular, produzir a roupa, mas não o seu valor de troca. Este é produzido pelo trabalho em si, não como trabalho de alfaiate, mas sim como trabalho abstratamente geral, que está inserido em um conjunto social, e cuja textura não saiu das mãos do alfaiate e sim de todo o contexto social, politico e econômico daquele instante ou momento.



CONCLUSÃO

Marx parte do pressuposto de que a concepção histórica humana é materialista, asseverando “a existência de indivíduos humanos vivos”. Portanto, os homens produzem seus meios de vida, a partir das condições postas pela natureza e, diferente dos animais, modificam-na de acordo como suas necessidades, através de suas ações no decorrer da história.

Define o trabalho como a atuação do homem sobre a natureza externa para dar utilidade aos seus recursos, como forma de satisfazer as necessidades humanas, configurando-se como dispêndio de força humana, física e mental sobre a natureza, para a produção de valores de uso. Assim o trabalho se torna resultado de um processo entre o homem e a natureza, no qual esta é regulada e transformada pela ação do homem, que em si, quanto homem, também se autotransforma.



Os operários não têm pátria.

Karl Marx



REFERÊNCIA

ANTUNES, Ricardo. O caracol e sua concha. São Paulo: Bomtempo, 2005.

GIANNOTTI, J. A. Trabalho e Reflexão, Ensaios para uma dialética da sociabilidade,

São Paulo, Brasiliense, 1983.

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