Colégio
Estadual do Paraná
Curso
de Arte Dramática e Formação do Ator Cênico III
ORGANIZAÇÃO
DE PROJETOS TEATRAIS
Professora
Ana Cristina M de Souza
ABILIO
MACHADO
CULTURA
A
cultura é parte do que somos, nela está o que regula nossa
convivência e nossa comunicação em sociedade.
A cultura, se formos ao pé da letra seria:
Substantivo feminino
1. agr ação, processo ou efeito de cultivar a terra; lavra, cultivo.
2. bio cultivo de célula ou tecido vivos em uma solução contendo nutrientes adequados e em condições propícias à sobrevivência.
A
CULTURA é fundamental para a compreensão de
diversos valores morais e éticos que
guiam nosso comportamento social. Entender como
estes valores se internalizaram em nós e como eles conduzem nossas
emoções e a avaliação do outro, é um grande desafio. É
ainda o conjunto de atividades e modos de agir, costumes e instruções
de um povo. É o meio pelo qual o homem se adapta às condições de
existência transformando a realidade.
Cultura é
um processo em permanente evolução, diverso e rico. É o
desenvolvimento de um grupo social, uma nação, uma comunidade;
fruto do esforço coletivo pelo aprimoramento de valores espirituais
e materiais. É o conjunto de fenômenos materiais e
ideológicos que caracterizam um grupo étnico ou uma nação
(língua, costumes, rituais, culinária, vestuário, religião,
etc.), estando em permanente processo de mudança.
A
cultura possui tanto aspectos tangíveis - objetos ou símbolos que
fazem parte do seu contexto - quanto intangíveis - ideias, normas
que regulam o comportamento, formas de religiosidade. Esses aspectos
constroem a realidade social dividida por aqueles que a integram,
dando forma a relações e estabelecendo valores e normas.
No
sentido Antropológico, não falamos em Cultura, no singular, mas em
culturas, no plural, pois a lei, os valores, as crenças, as práticas
e instituições variam de formação social para formação social.
Além disso, uma mesma sociedade, por ser temporal e histórica,
passa por transformações culturais amplas e, sob esse aspecto,
Antropologia e História se completam, ainda que os ritmos temporais
das várias sociedades não sejam os mesmos, algumas mudando mais
lentamente e outras mais rapidamente.
Se
reunirmos o sentido amplo e o sentido restrito, compreenderemos que a
Cultura é a maneira pela qual os humanos se humanizam por meio de
práticas que criam a existência social, econômica, política,
religiosa, intelectual e artística.
A
religião, a culinária, o vestuário, o mobiliário, as formas de
habitação, os hábitos à mesa, as cerimônias, o modo de
relacionar-se com os mais velhos e os mais jovens, com os animais e
com a terra, os utensílios, as técnicas, as instituições sociais
(como a família) e políticas (como o Estado), os costumes diante da
morte, a guerra, o trabalho, as ciências, a Filosofia, as artes, os
jogos, as festas, os tribunais, as relações amorosas, as diferenças
sexuais e étnicas, tudo isso constitui a Cultura como invenção da
relação com o Outro.
O
Outro, antes de tudo, é a Natureza. A naturalidade é o Outro da
humanidade. A seguir, os deuses, maiores do que os humanos,
superiores e poderosos. Depois, os outros humanos, os diferentes de
nós mesmos: os estrangeiros, os antepassados e os descendentes, os
inimigos e os amigos, os homens para as mulheres, as mulheres para os
homens, os mais velhos para os jovens, os mais jovens para os velhos,
etc.
Em
sociedades como a nossa, divididas em classes sociais, o Outro é
também a outra classe social, diferente da nossa, de modo que a
divisão social coloca o Outro no interior da mesma sociedade e
define relações de conflito, exploração, opressão, luta. Entre
os inúmeros resultados da existência da alteridade (o ser, um
Outro) no interior da mesma sociedade, encontramos a divisão entre
cultura de elite e cultura popular, cultura erudita e cultura de
massa.
Devo
anotar aqui a questão do RELATIVISMO
CULTURAL que é
uma ideologia político-social que defende a validade e a riqueza de
qualquer sistema cultural e nega qualquer valorização moral e ética
dos mesmo.
O
relativismo cultural defende que o bem e o mal são relativos a cada
cultura. O "bem" coincide com o que é "socialmente
aprovado" numa dada cultura. Assim Gensler coloca que os
princípios morais descrevem convenções sociais e devem ser
baseados nas normas da nossa sociedade.
Ex.: Na
cultura europeia-ocidental, o ato de comer é feito com garfo, faca e
colher. Excetuando-se os cerimoniais, não há ordem
estabelecida para sentar na mesa. Na China o costume é comer
sentado. No interior do nordeste é costume comer
utilizando-se os dedos. Junta-se um punhado de comida, em
geral com farinha e com os dedos leva-a à boca. Hábitos
diferentes que naturais em seus contextos, podem ser mal
interpretados fora deles. Assim, comer com a mão pode ser
uma falta de educação, comer com colher pode ser coisa de pobre ou
comer com garfo e faca ou palitos pode parecer estranho a quem não
tem este hábito.
Uma
cultura não é estática, ela está em constante mudança de acordo
com os acontecimentos vividos por seus integrantes. Valores que
possuíam força no passado se enfraquecem no novo contexto vivido
pelas novas gerações, a depender das novas necessidades que surgem,
já que o mundo social também não é estático. Movimentos contra
culturais, como o punk ou o rock, são exemplos claros do processo de
mudança de valores culturais que algumas sociedades viveram de forma
generalizada.
Mesmo
dentro de uma mesma sociedade podem existir divergências culturais.
Alguns grupos, ou pessoas, podem ter fortes valores baseados em
crenças religiosas, enquanto outras prefiram a lógica do progresso
científico para compreender o mundo. A diversidade cultural é um
fato em nossa realidade globalizada, onde o contato entre o que
consideramos familiar e o que consideramos estranho é comum. Ideias
diferentes, comportamento, contato com línguas estrangeiras ou com a
culinária de outras culturas tornou-se tão corriqueiro em nosso dia
a dia que mal paramos para pensar no impacto que sofremos
diariamente, seja na adoção de expressões de línguas estrangeiras
ou na incorporação de alimentos exóticos em nossa rotina
alimentar.
O
contato com culturas diferentes também modifica alguns aspectos de
nossa cultura. O processo de aculturação, onde uma cultura absorve
ou adota certos aspectos de outra a partir do seu convívio, é comum
em nossa realidade globalizada, onde temos contato quase perpétuo
com culturas de todas as formas e lugares possíveis antes nem mesmo
imaginados.
Do
livro ‘O que é cultura’ de Santos podemos absorver que a cultura
é uma produção coletiva, mas nas sociedades de classe seu controle
e benefícios não pertencem a todos. Entendemos neste caso que a
cultura diz respeito a uma esfera, a um domínio, da vida social.
Contam-se inúmeras definições de cultura, mas podemos nos valer de
certos procedimentos metodológicos: 1) partir de uma noção básica
de cultura; 2) não erigir nenhuma definição de cultura como a
única verdadeira e exata; 3) procurar sempre captar ou explicitar a
área conceitual em que se está trabalhando no momento; 4)
distinguir claramente cultura de outros termos próximos ou
costumeiramente aproximados; 5) perceber e diferenciar os enfoques
mais constantes e mais ricos de cultura, a saber, o enfoque
filosófico, o humanista, o etnológico e o da antropologia cultural.
A cultura é o desenvolvimento intelectual do ser humano, são os
costumes e valores de uma sociedade.
REFERÊNCIA
SANTOS,
José Luiz dos. O
que é cultura.
Coleção
Primeiros Passos. Editora Brasiliense
http://criticanarede.com/fil_relatcultural.html
H. Gensler
https://www.youtube.com/watch?v=42EpgFBDrts
o que é cultura?
SUGESTÃO
DE LEITURAS
CHAUÍ,
Marilena. O
que é ideologia.
Coleção Primeiros Passos. Editora Brasiliense
NETO,
Antonio A. A..O
que é cultura popular.
Coleção Primeiros Passos. Editora Brasiliense
VALE,
Edênio e QUEIROZ, José. A
Cultura do Povo.
Cortez e Moraes Editores.